terça-feira, 8 de novembro de 2011

MEDOS NA INFÂNCIA

É muito comum crianças possuírem medos específicos, como por exemplo: medos do escuro, de certos animais, de sangue, de altura, etc. Os medos na infância nem sempre são comuns a todas as crianças e um mesmo estímulo podem ser ameaçador para uma criança e não ter nenhum efeito para outra. 

Como a criança adquiriu o medo? 
Os medos geralmente são adquiridos de três formas diferentes. 

a) O medo pode ser adquirido pelo sentimento de insegura e ansiedade frente a uma determinada situação (por exemplo: altura); 

b) Pode ser adquirido também após evidenciar pessoas com medo da mesma situação (por exemplo: ver pessoas com medo de altura); 

c) Pode ser adquirido após saber que alguém encontra-se hospitalizado após cair de uma determinada altura por exemplo. 

O que é interessante, é que a maioria dos medos infantis é devida a transmissão de informações negativas, como por exemplo: “não chegue perto do gato, ele pode arranhar” ou ainda “desça já, você pode cair e se machucar”, etc. E isso é muito ruim para as crianças, pois em muitos casos esses medos podem interferir em seu desenvolvimento normal. 

Vamos ver um exemplo: Vamos supor que certo dia alguns pais assistem ao noticiário na televisão e veem que uma determinada criança foi hospitalizada após ter sido mordido por cachorro. A partir desse momento, mesmo sem se dar conta, esses pais passam essa informação negativa aos filhos. - “Não chegue perto de cachorros, ele mordem” - “Vamos sair do parque, tem um cachorro solto”

Possivelmente essa criança vai começar a desenvolver medo de cães, o que certamente irá lhe roubar importantes oportunidades (como por exemplo, deixa de ir à casa do amiguinho de escola porque o garoto possui em cãozinho). 

Um estudo conduzido pelo pesquisador Morris e colaboradores investigou se o medo desapareceria se as crianças fossem submetidas a informações a respeito do objeto do medo. Eles avaliaram 62 crianças com idades entre 9 e 13 anos que foram expostas a informações negativas e desenvolveram medo de um determinado personagem animal. 

As crianças foram divididas em três grupos: 
a) Um grupo recebeu informações positivas referente ao medo; 
b) O outro recebeu imagens positivas referente ao objeto do medo; 
c) O terceiro grupo não recebeu absolutamente nada. 

O resultado dessa pesquisa revelou que as crianças dos dois primeiros grupos, passaram a não ter mais tanto medo e que passar informações positivas parece ser a maneira mais adequada de corrigir os medos adquiridos verbalmente. 

Esses resultados são bastante interessantes, principalmente porque demonstra que a informação positiva, que é parte integrante parte da maioria dos programas de psicoterapia, representa uma estratégia viável para reduzir o medo, principalmente quando esse medo foi induzido por meio de informações negativas. 


Fonte:
Peter Muris*, Jorg Huijding, Birgit Mayer, Wendy van As, Sharon van Alem - Reduction of verbally learned fear in children: A comparison between positive information, imagery, and a control condition - J. Behav. Ther. & Exp. Psychiat. 42 (2010) 139:144. 


Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br
Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências


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