quinta-feira, 28 de abril de 2011

Alzheimer - Reabilitação Memória (parteII)

Vou continuar a falar sobre a doença de Alzheimer e reabilitação cognitiva, só que desta vez, falarei sobre reabilitação da memória. Sabemos que a deterioração da memória de curto prazo e a capacidade de aprender informações novas é um sintoma característico da demência do tipo Alzheimer. 

Os idosos passam a ter dificuldades em lembrar nomes, datas, faces, instruções, os passos para realização de determinada tarefa, os nomes das coisas, e outras informações importantes para a vida cotidiana. Esses esquecimentos algumas vezes podem ser perigosos tanto para o próprio idoso como para os seus familiares. Por exemplo: o idoso pode esquecer onde reside e/ou como se faz para voltar para casa e ficar vagando totalmente perdido, ou ainda, pode sair de casa e esquecer o forno ou ferro de passar ligados...

Por esse motivo esse comprometimento da memória pode ser estressante para os familiares e/ou cuidadores. Obviamente, não existem intervenções farmacológicas que possam reverter o declínio cognitivo, mas há intervenções que pelo menos, melhoram temporariamente a capacidade de se lembrar. A Reabilitação cognitiva se concentra em remediar os déficits cognitivos, com o objetivo de melhorar ou manter as habilidades cognitivas ainda preservadas.

Estas intervenções envolvem: 

(a) Fornecer estímulos do meio ambiente para melhorar a recordação, 

(b) Intervir diretamente com o idoso para melhorar sua capacidade de recordar as informações importantes.

Para isso podemos utilizar as estratégias auxiliares externas que são bastante utilizados para complementar a memória, entre elas destacam-se as listas (lista de compras, afazeres, etc), agendas com nomes e contato de familiares e informações importantes, etiquetas para identificar o que está dentro de cada gaveta e armário entre outras. As aplicações são inúmera e bastante variáveis, e portanto, muito práticas. 

E claro que, para essas estratégias serem eficazes, muitas vezes é preciso ensinar ao idoso sempre olhar as etiquetas das gavetas para depois pegar o objeto que necessita, ou ainda, sempre verificar a lista de compras durante às compras, ou então, não esquecer de consultar a agenda, etc. 

Outra intervenção bastante utilizada é o livro pessoal. Esses livro consiste em uma série de páginas que retratam a vida do idoso. Nele se encontram fotos de amigos e familiares com os seus respectivos nomes e parentescos, descrições sobre pessoas, lugares ou qualquer outra coisa que tenha um significado importante. Assim, o idoso facilmente encontra o nome da pessoa com quem está conversando e outros informações, facilitando não só suas conversas mas também o seu comportamento social, geralmente bastante afetado pela doença.


Fonte:
Jeffrey A. Buchanan, Angela Christenson, Daniel Houlihan and Carly Ostrom - The Role of Behavior Analysis in the Rehabilitation of Persons With Dementia - Behavior Therapy 42 (2011) 9–21.

Rosani Aparecida Antunes Teixeira
Neurônios no Divã

Nenhum comentário:

Postar um comentário