terça-feira, 1 de março de 2011

Esclerose Múltipla (Parte 2) – Turbilhão de Sentimentos

Ainda no tema Esclerose Múltipla (EM), vamos falar sobre os aspectos psicológicos dessa doença e da sucessão de emoções que tomam o paciente de EM e seus familiares.

Com os primeiros sintomas começa a busca pelo diagnóstico. A EM é uma doença que geralmente demora a ser diagnosticada pois seus sintomas são semelhantes aos de muitas outras doenças. E essa busca pode se tornar uma verdadeira odisséia, uma vez que o tempo entre as primeiras percepções dos sintomas até o diagnóstico definitivo pode ser muito longo, além de frustrante e bastante confuso. Na busca do diagnóstico correto, o paciente pode ouvir de tudo até “Isso não é nada, apenas estresse” ou ainda “Para mim, isso é frescura”...

Até que, no final desse processo, surge então o diagnóstico de EM. Uma doença incurável causada por um ataque do sistema imunológico contra o seu próprio organismo.  Diante desse diagnóstico o desespero é enorme. É muito difícil encarar e assimilar a informação.

Geralmente os portadores de doenças crônicas como a EM passam por algumas alterações emocionais após o diagnóstico. Num primeiro momento, a tendência é de não aceitar o diagnóstico e passar a viver a fase de negação. E muito comum ouvir as seguintes frases: "Não, não é, não pode ser!”; “Não, deve haver algum engano”.  Em seguida a pessoa torna-se hostil, passando a tratar a todos que a cercam com bastante hostilidade. Essa é uma fase também muito difícil para quem convive com o paciente EM. É preciso paciência para compreender os possíveis ataques de raiva que o paciente direciona às pessoas a sua volta.

Após algum tempo, que obviamente depende de pessoa para pessoa, inicia-se a próxima fase, a fase de barganha, e é nessa fase que a pessoa tenta negociar com os profissionais de saúde e também com seus familiares a forma como gostaria de ser tratado. É muito comum também o paciente desistir de lutar contra a doença, e entrar em uma fase depressiva, isolando-se e afastando-se de tudo e todos. Frases como: "Eu não consigo enfrentar isto.”; “Não posso passar por isto.”; “O que será de mim?” geralmente são sempre pronunciadas.

Por fim, entra-se na fase de aceitação da doença e nessa fase, a pessoa passa a aceitar melhor o diagnóstico, e contribui de maneira mais satisfatória ao tratamento e é apenas nessa fase que a pessoa passa a falar da doença sem se sentir doente e sem sentir raiva. Aos poucos vai-se percebendo exatamente o que isso significa. E vai se descobrindo que é possível conviver e encarar essa doença.

Além do desafio de encarar o diagnóstico da doença, é preciso lidar com os sintomas da esclerose múltipla. Apesar de existirem medicamentos que diminuem a frequência de surtos, a EM é imprevisível, e nunca se sabe quando acontecerá outro surto, sua intensidade e quais sintomas podem ocorrer, e essa incerteza é bastante desafiadora. Mais ainda, durante os períodos de exacerbação da doença, a pessoa pode ficar totalmente dependente de seus familiares e cuidadores, o que é extremamente difícil. Desde pequenos aprendemos a andar com as próprias pernas, nos virar sozinhos, cuidar de nós mesmo, tornarmos independentes e tudo na vida... E, de repente... Precisar de ajuda até para ir ao banheiro!!! Como lidar com isso? É possível suportar?

Minha experiência clínica mostra que as pessoas que optam em trabalhar esses sentimentos através da psicoterapia, acabam por se fortalecer e muitas vezes, percebem-se muito mais fortes do que pensavam ser, capazes de suportar as frustrações que a vida apresenta, mudam seu estilo de vida, melhoram sua qualidade e tornam-se pessoas mais felizes e realizadas...

Rosani Ap. Antunes Teixeira
psic_rosani@yahoo.com.br

Neurônios no Divã: Psicologia e Neurociências 
Blog feito por psicólogas que acreditam em neurônios 
http://www.neuroniosnodiva.blogspot.com

2 comentários:

  1. É verdade. Claro que essas "fases" de recuperação são um pouco mais complexas, mas sem dúvida, a psicoterapia é fundamental. Uma luz.

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